26 de outubro de 2010

nos encerra em seu oval perfeito ???

"Não adianta correr nem se debater, pois o tempo come as beiradas da gente, corta e recorta e rói, cobre e recobre, e nos encerra em seu oval perfeito – e como os mortos, hibernamos..."
Lya Luft
Apesar do tempo realmente passar e desfazer nossas ilusões em relação a aquilo que pensamos que um dia seriamos ... eu não quero hibernar !!!! Estou viva ... vivíssima !!!

24 de outubro de 2010

ao que faz nossos olhos brilharem menos...

 "Em muitos trechos do caminho, às vezes bem longos, carregamos muito peso na alma sem também notar.
A gente se acostuma muito fácil às circunstâncias difíceis que às vezes podem ser mudadas.
A gente se adapta demais ao que faz nossos olhos brilharem menos.
A gente camufla a exaustão.
A gente inventa inúmeras maneiras para revestir o coração com isolamento acústico para evitar ouvi-lo.
A gente faz de conta que a vida é assim mesmo e ponto.
A gente arrasta bolas de ferro e faz de conta que carrega pétalas só pra não precisar fazer contato com as nossas insatisfações e agir para transformá-las.
A gente carrega tanto peso, no sentimento, um bocado de vezes, porque resiste à mudança.
Até o dia em que a alma, cansada de não ser olhada, encontra o seu jeito de ser vista e de dizer quem é que manda..."

Ana Jácomo



16 de outubro de 2010

a cada manhã, ao acordar ...

Não quero viver como uma planta que engasga e não diz a sua flor.
Como um pássaro que mantém os pés atados a um visgo imaginário.
Como um texto que tece centenas de parágrafos sem dar o recado pretendido.
Que eu saiba fazer os meus sonhos frutificarem a sua música.
Que eu não me especialize em desculpas que me desviem dos meus prazeres.
Que eu consiga derreter as grades de cera que me afastam da minha vontade.
Que a cada manhã, ao acordar, eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa...

Ana Jácomo

26 de setembro de 2010

abra a janela para o sol ou a penumbra...

"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser ao conjunto teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho carente, tigre e lótus."

Caio F. Abreu
assim ... minha boca de areia seca e minha mão crispada de solidão
seguem no eterno ciclo do tanto faz ...

24 de setembro de 2010

equilíbrio no fio da navalha

...Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens..."

Vinícius de Moraes

14 de setembro de 2010

a gente não precisa de certezas estáticas

Olhando daqui, percebo que pessoas e circunstâncias tiveram um propósito maior na minha vida do que muitas vezes, no momento de cada uma, eu soube, pude, aceitei, ler. Parece-me, agora, que cada uma, no seu próprio tempo, do seu próprio modo, veio somar para que eu chegasse até aqui, embora algumas vezes, no calor da emoção da vez, eu tenha me rendido à enganosa impressão de que veio subtrair.
A vida tem uma sabedoria que nem sempre alcanço, mas que eu tenho aprendido a respeitar, cada vez com mais fé e liberdade. O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias.
A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos.
A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma.
A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver.
A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos.

 Ana Jácomo



27 de agosto de 2010

mínima linha vazia

Vim pelo caminho difícil,
a linha que nunca termina,
a linha bate na pedra,
a palavra quebra uma esquina,
mínima linha vazia,
a linha, uma vida inteira,
palavra, palavra minha.

Paulo Leminsky

16 de agosto de 2010

coisas que nos distraem

"O essencial é aquilo que, se nos fosse roubado, morreríamos. O que não pode ser esquecido. Substância do nosso corpo e da nossa alma... Os poetas são aqueles que, em meio a dez mil coisas que nos distraem, são capazes de ver o essencial e chamá-lo pelo nome. Quando isto acontece, o coração sorri e se sente em paz..."
(Da crônica intitulada: As Coisas Essenciais - de Rubem Alves, do livro: O Retorno e Terno)

14 de agosto de 2010

das pessoas e das coisas...

Ninguém sabe como,
mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas...       
      Caio F. Abreu

12 de agosto de 2010

para não abrir mão de se sentir feliz

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
Caio Fernando Abreu

porque ele é sempre inspiração ...

5 de agosto de 2010

no Centro do Furacão

Vórtice, voragem, vertigem: qualquer abismo nas estrelas de papel brilhante no teto.
Queria tanto poder usar a palavra voragem. Poder não, não quero poder nenhum, queria saber. Saber não, não quero saber nada, queria conseguir. Conseguir também não - sem esforço, é como eu queria. Queria sentir, tão dentro, tão fundo que quando ela, a palavra, viesse à tona, desviaria da razão evitaria o intelecto para corromper o ar com seu som perverso. A-racional, abismal. Não me basta escrevê-la - que estou escrevendo agora e sou capaz de encher pilhas de papel repetindo voragem voragem voragem voragem voragem voragem voragem sete vezes ao infinito até perder o sentido e nada mais significar - não é dessa forma que eu a desejo. Ah essa palavra de desgrenhados cabelos, enormes olhos e trêmulas mãos. Melodramática palavra, de voz roiuca igual à daquelas mulheres que, como dizia John Fante, só a adquirem depois de muitos conhaques emuitos cigarros... Eu quero sê-la, voragem...
Espio no dicionário seu significado oficial, tentativa inútil de exorcizar o encantamento maligno. O que leio, inquieta ainda mais: "Aquilo que sorve ou devora". E vejo um redemoinho lamacento de areias movediças à superfície do qual uma única mão se crispa. Vórtice, penso, numa vertigem. Repito, hipnotizado: vertigem, vórtice, voragem. "Qualquer abismo" - continuo a ler. Os abismos de rosas, os abismos de urzes, e aqueles abismos à beira do qual duas crianças correm perigo, protegidas pelas sas do Anjo da Guarda.
Os abismos de estrelas falsas no falso céu do teto do meu quarto, os abismos de beijos e desejos, o abismo onde se detém o rei daquela história zen para abrir o anel que lhe deu o monge, onde está guardado o condão capaz de salvá-lo - e o condão é a frase: "isto tambèm passará".
Sim, leio então: "Tudo que subverte ou consome" - paixões, ideologias, ódios, feitiçarias, vocações, ilusões, morte e vida. Essas outras palavras de maiúsculas implícitas - vorazes, voragem, abismais.
Eu estava lá, no centro do furacão. E repito as palavras que são e não são minhas enquanto o porteiro do edifício em frente toca violão e canta, e a chuva desaba outra vez, e peço: por favor, me socorre, me socorre que hoje estou sentido e português, lusitano e melancólico. Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que já fui Pessoa ou Virgínia Woolf em outras vidas, e filosófo em tupi-guarani, enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas. Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor que eu quero encostar em seu tronco o lótus de mil pétalas do topo da minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviado de por um instante não ser mais eu, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou e não ter solução. Me ajuda, peço, quando Excalibur afunda sem volta no lago.
Ela se debruça sobre mim, me beija com sua grande boca vermelha movediça.
Tenho medo mas abro minha boca para me perder.
Ela repete baixinho em meus ouvidos nomes cheios de sangue - Galizia, Ana Cristina, Júlio Barroso - enquanto contemplo o céu no teto do meu quarto, girando intergaláctico em direção a ER-8, a estrela de 10 bilhões de anos, o cadáver insepulto para sempre da estrela perdida nos confins do Universo. Choro sozinho no escuro, você não enxuga as minhas lágrimas. Você não quer ver a minha infância. Solto nesse abismo onde só brilham as estrelas de papel no teto, desguardado do anjo com suas mornas asas abertas. Você não me ouve nem me vê, e se ouvisse e visse não compreenderia quando eu abrir os braços para Ela e saudar, amável e desesperado como quem dá boas-vindas ao terror consentido: voragem, voragem.
Voragem, vórtice, vertigem: ego. Farpas e trapos.
Quero um solo de guitarra rasgando a madrugada.
Te espero aqui onde estou, abismo, no centro do furacão. Em movimento, águas...
Caio Fernando

20 de julho de 2010

sentimentos são sempre uma surpresa




Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso:
não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…
o de mais nada fazer.

Clarice Lispector

14 de julho de 2010

é hora de fazer um pedido


...é hora de fazer um pedido...

"Algo ESTÁ acontecendo e é mais real do que qualquer um de nós possa imaginar."
Uma Realidade Maior está sendo inserida nas nossas vidas diárias. “A minhoca finalmente olha para cima” em direção às estrelas e é transformada para sempre. Uma união está acontecendo entre os nossos amplos Eus cósmicos e os nossos corpos físicos. Isto transforma o nosso DNA e nos permite finalmente nos tornarmos vivos cheios de energia e totalmente reais.
Da próxima vez que você ver o 11:11, pare e sinta as energias sutís ao seu redor. O 11:11 é um chamado que você enviou para si mesmo. Um lembrete do seu verdadeiro propósito aqui na Terra.
Geralmente em tempos de energia elevada ou mudanças pessoais aceleradas você perceberá o 11:11 com maior freqüência. Ver os Números Mestre 11:11 é SEMPRE uma confirmação de que você está no caminho certo.
O 11:11 é a ponte
entre dualidade e Unidade.
É o nosso caminho para o Desconhecido.

9 de julho de 2010

maior que todos os ventos contrários

Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola.
E refaço. Colo. Pinto e bordo.
Porque a força de dentro é maior.
Maior que todo mal que existe no mundo.
Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem.
E nisso, sim, acredito até o fim ...
Caio Fernando Abreu




coragem

... só preciso de coragem ...

3 de julho de 2010

o que ela quer da gente

Como disse Guimarães Rosa:
"A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem..."

2 de julho de 2010

longas e silenciosas

Não haverá borboletas se a vida
não passar por longas e silenciosas metamorfoses …

Rubem Alves

26 de junho de 2010

comece de novo

O perigo existe, faz parte do jogo
Mas não fique triste, que viver é fogo
Veja se resiste, comece de novo
Comece de novo, comece de novo

Vinicius de Moraes

22 de junho de 2010

mapa

" quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso..."

Mario Quintana

21 de junho de 2010

era quase

" não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase"

Leminski
... e hoje tô assim, sentindo por aquilo que não foi ...

La flor más grande del mundo

18 de junho de 2010

olhos e o coração é que se podem ler

As palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule, retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler.

José Saramago
... sei que é obvio, mas tinha que deixar minha homenagem ...

16 de junho de 2010

hoje eu aprendi

É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir...

Clarice Lispector
... porque algumas vezes algumas coisas doem e a gente nem sabe explicar porquë??...

acordamos com a senhora desilusão

Sei que todos algum dia acordamos com a senhora desilusão sentada na beira da cama. Mas a gente vai à luta e inventa um novo sonho, uma esperança, mesmo recauchutada: vale tudo menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas se realizam. Criança sabe disso...

Lya Luft

14 de junho de 2010

posso escolher

"Se, ao acordar, posso escolher uma roupa, posso escolher também o sentimento que vai vestir meu dia. Se, no percurso, posso errar o caminho posso também escolher a paisagem que vai vestir meus olhos. A mesma articulação que tenho para reclamar, tenho para agradecer. E, se posso me adornar com a alegria, não é a tristeza que eu vou tecer. Que hoje e sempre, seja mais um belo dia!"

Marla de Queiroz

10 de junho de 2010

dias melhores

O que virá depois? - pergunto então para a tarde suja atrás dos vidros, e me sinto reconfortado como se houvesse qualquer coisa feito um futuro à minha espera..."

Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu

8 de junho de 2010

a poesia está contida nisso tudo

"Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo."

Carlos Drummond de Andrade

4 de junho de 2010

quem nada compreende, nada vale

Quem nada conhece, nada ama.
Quem, nada pode fazer, nada compreende.
Quem nada compreende, nada vale.
Mas quem compreende também ama, observa, vê...
Quanto mais conhecimento houver inerente numa coisa
tanto maior o amor...
Aquele que imagina que todos os frutos
amadurecem ao mesmo tempo, como as cerejas,
nada sabe a respeito das uvas.

PARACELSO

3 de junho de 2010

ninguém quer dor

Uma alegria que me faz quase acreditar que sou possível ...